
A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) ocorrerá de 10 a 21 de novembro de 2025, em Belém, no Pará, marcando um momento histórico para o Brasil e para o mundo. Pela primeira vez, a conferência será realizada na Amazônia, região estratégica para o equilíbrio climático do planeta. A COP 30 chega em meio a polêmica do avanço de projetos de exploração de petróleo na Margem Equatorial, região amazônica que conecta os rios ao oceano Atlântico. A COP 30 traz à tona discussões urgentes sobre os limites da exploração dos combustíveis fósseis e a necessidade urgente de proteger os ecossistemas marinhos e costeiros.
A COP é o principal fórum internacional de negociação climática, reunindo representantes de quase 200 países desde 1995. A cada edição, são discutidas metas de redução de emissões de gases do efeito estufa, mecanismos de financiamento climático, adaptação às mudanças e transição energética. O marco das COPs foi o o Acordo de Paris, firmado na COP21 em 2015, que estabeleceu metas para limitar o aumento da temperatura média global a bem abaixo de 2°C acima dos níveis pré-industriais, com esforços para limitar o aumento a 1,5°C. Ele envolveu todos os países na ação climática, com cada nação apresentando suas próprias Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) para reduzir as emissões.
Já em Belém, o debate ganha um contorno simbólico e político ainda mais forte posi ocorre no coração da floresta, onde povos indígenas, comunidades ribeirinhas e cientistas alertam para os riscos da exploração de petróleo em áreas ambientalmente frágeis e riquíssimas em biodiversidade.
A foz dos rios amazônicos é um dos pontos mais biodiversos do planeta e cumpre papel essencial na regulação do clima, na proteção da vida marinha e no modo de vida de populações ribeirinhas. No entanto, o avanço de projetos petrolíferos na costa norte brasileira coloca em risco esses ecossistemas. O que se decide na COP30 pode influenciar diretamente a política energética brasileira e os rumos da conservação marinha. Em março deste ano, durante um programa de rádio, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva destacou que “estudos estão sendo feitos e o Ibama está trabalhando no pedido de licença que foi feito pela Petrobras. Os técnicos estão apresentando o seu parecer. E a decisão será uma decisão técnica, seja para o sim, seja para o não, porque os processos de empreendimento têm a ver com isso. É um processo que ainda não é da retirada do petróleo propriamente dito. É para fazer a prospecção do petróleo. Mas é algo de altíssima complexidade”.
Apesar do destaque para um parecer técnico, é preocupante que haja a possibilidade de exploração de combustível fóssil na foz do Amazona. Isso diz muito sobre a urgência da sociedade civil estar por dentro dos temas e cobrar soluções do governo.
A exploração de petróleo na Foz do Amazonas divide opiniões. Há quem defenda o potencial econômico e que isso geraria a autossuficiência energética. Porém, especialistas em preservação ambiental alertam para os riscos que isso tudo traria para ecossistemas sensíveis como o Foz do Amazonas, além dos impactos sobre comunidades tradicionais e a contradição com os compromissos climáticos assumidos pelo Brasil.
A COP 30 será, de fato, um marco para o mundo e a chance do governo brasileiro se forma como protetor do meio ambiente. A sociedade civil precisa estar atenta e cobrar. Acompanhar a COP 30 é um dever de todos.
