Nanda fará sua estreia no maior evento de downwind da América Latina. A atleta traz muito preparo, esporte e representatividade

No próximo domingo (17/08), a partir das 7h, os verdes mares da Beira Mar de Fortaleza serão palco de uma recepção especial para a atleta indígena Nanda Baniwa, referência nacional na canoa havaiana. A Remada de boas-vindas marca sua chegada ao Ceará para encarar, pela primeira vez, o desafio do Molokabra Downwind, maior evento de downwind da América Latina, que ocorrerá de 22 a 31 de agosto, em um travessia desafiadora, nas modalidades de remo, canoagem e à vela, entre as praias de Fortaleza e Cumbuco.
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Nanda Baniwa é referência nacional na canoa havaiana, especialmente na categoria V1, e fez história como a primeira mulher indígena da América Latina a se classificar e competir na Te Aito, tradicional prova internacional no Taiti. Agora, encara, pela primeira vez, as condições de mar e vento do litoral cearense, trazendo muito preparo técnico, representatividade e conexão com as águas.
A iniciativa da remada é uma ação organizada pela equipe de canoa havaiana Cajuínas VA’A (@cajuinas_vaa) e contará com a participação e apoio das escolas Vibe VAA Club (@vibevaaclub), Escola Elione Sousa (@escolaelionesousa) e Taíba VA’A (@taibavaa). A proposta é criar um momento simbólico de acolhimento e celebração, reunindo atletas e comunidade em torno de uma experiência que une esporte, cultura e representatividade.
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Aos 21 anos, Nanda traz na bagagem títulos e marcos históricos, como ter sido a primeira mulher indígena da América Latina a se classificar e competir na Te Aito, tradicional prova internacional no Taiti. Agora, ela estreia no Molokabra e encara as condições únicas de mar e vento do litoral cearense, competindo na categoria V1, embarcação individual de canoa havaiana.
“Essa será a minha primeira vez, então o frio na barriga já está tomando conta por aqui. Espero viver algo insano e desafiador. A V1 não é brincadeira nessas condições de mar e, como remadora de rio, onde as ondulações são bem diferentes, minhas expectativas estão altíssimas”, destaca a atleta.
“Tenho treinado muito para esse momento, e a empolgação só cresce. Mais do que isso, tudo isso representa mais uma possibilidade de levar meu povo para o mar e, dessa vez, surfando. Eu carrego comigo uma história de luta e resistência dentro da água. Isso representa muito para mim e para o meu povo”, afirma Nanda Baniwa.

Esporte, ancestralidade e sustentabilidade
Para a atleta, a participação no Molokabra vai muito além da performance esportiva no downwind. É também um ato de representatividade. “Tenho treinado muito para esse momento, e a empolgação só cresce. A experiência de viver algo novo é sempre incrível. Além disso, estar no Molokabra representa mais uma possibilidade de levar meu povo para o mar e, dessa vez, surfando. Eu carrego comigo uma história de luta e resistência dentro da água. Sei que não é fácil, mas fico profundamente feliz em ver até onde estou conseguindo chegar. Isso representa muito para mim e para o meu povo”, destaca Nanda.
Além d aparte esportiva, a atleta revela que a conexão com o mar faz parte da sua ancestralidade e que faz questão de destacar a importância da sustentabilidade e proteção dos mares. “Eu, como indígena e parte dessa luta por uma mudança significativa diante dos acontecimentos climáticos dos últimos tempos, gostaria de destacar a importância de preservarmos a natureza e de valorizarmos quem realmente cuida dela. Os povos originários são, hoje, os principais responsáveis por preservar grande parte da biodiversidade do planeta. Isso é um apelo urgente para que o meu povo esteja cada vez mais presente e, principalmente, mais escutado quando o assunto é preservação ambiental”, frisa a atleta Nanda Baniwa.
Tanta força e garra são motivo de orgulho para quem acompanha Nanda, que destaca como é se tornar inspiração para outros jovens: “é uma honra, aos 21 anos, ser referência para tantas pessoas. O caminho até aqui não foi fácil, mas me alegra saber que estou abrindo uma trilha que, em breve, quero ver meus parentes trilhando também. Mais do que um esporte, a canoagem tem sido meu principal meio de luta. Levar hoje o movimento ‘Do Rio Para o Mar’ é algo muito significativo. É um chamado para que todos possam compreender e repensar pontos importantes sobre os povos originários do Brasil por meio do va’a”, reforça a atleta.
Quem se interessar em fazer parte da remada, basta entrar em contato com a a organização , por meio do direct do Instagram equipe de canoa havaiana Cajuínas VA’A (@cajuinas_vaa).
Molokabra 2025
Entre os dias 22 e 31 de agosto, o litoral cearense será tomado por atletas, vento forte e celebrações à cultura oceânica. É quando ocorre o Molokabra 2025, maior evento de downwind da América Latina, que chega à sua 7ª edição reunindo mais de 400 atletas, representantes de 16 estados brasileiros e de 12 países, em uma travessia oceânica entre Fortaleza e Cumbuco.
Serviço:
Remada de boas-vindas para Nanda Baniwa
Saída: Vibe VAA Club, Escola Elione Sousa e Taíba VA’A – Av. Beira Mar, 2961, próximo ao espigão do Náutico
Data: Domingo, 17 de agosto
Horário: 7h

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