195 países aprovaram o documento

A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) encerrou-se neste fim de semana, em Belém (PA), com a aprovação do Pacote de Belém, um conjunto de 29 decisões negociadas por 195 países e voltadas para acelerar respostas à crise climática. O documento reúne 120 planos para impulsionar soluções em energia, florestas, oceanos, infraestrutura e qualidade de vida, consolidando um novo marco de cooperação internacional para uma transição justa.

Entre os principais anúncios está o compromisso de triplicar, até 2035, o financiamento global destinado à adaptação climática. A medida reforça a cobrança para que países desenvolvidos ampliem substancialmente o apoio financeiro às nações em desenvolvimento, que enfrentam os impactos mais severos das mudanças climáticas. O pacote também estabelece indicadores para monitorar a Meta Global de Adaptação, abrangendo setores como água, saúde, segurança alimentar, ecossistemas e meios de subsistência.

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Outra decisão de destaque envolve o fortalecimento das políticas de gênero. O novo Plano de Ação de Gênero amplia investimentos e incentiva a liderança de mulheres indígenas, afrodescendentes, rurais e de outras comunidades que desempenham papéis estratégicos na defesa dos territórios e na implementação de soluções climáticas.

O encontro marcou ainda o lançamento do Fundo Florestas Tropicais Para Sempre, mecanismo inovador que garante pagamentos de longo prazo a países que mantêm a conservação verificada de florestas em pé. Na primeira fase, o fundo mobilizou mais de US$ 6,7 bilhões com o apoio de 63 países, estabelecendo uma base permanente para financiar ações de proteção florestal e redução do desmatamento.

Ao longo das duas semanas de conferência, mais de cem países apresentaram suas novas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), compromissos nacionais para redução de emissões até 2035 no âmbito do Acordo de Paris.

Uma das polêmicas da COP30 foi a ausência de ações concretas para reduzir o uso de combustíveis fósseis. Embora o encontro tenha terminado sem um plano global para substituir petróleo, gás e carvão, os países aprovaram um acordo para triplicar o financiamento climático destinado às nações mais pobres. Cientistas alertam que o orçamento global de carbono está praticamente esgotado e afirmam que não há possibilidade de manter o aquecimento em 1,5 °C sem uma eliminação gradual dos combustíveis fósseis.

De acordo com informações da Agência Brasil, o presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, destacou que o Brasil seguirá liderando as negociações até novembro de 2026 e que o debate sobre a eliminação gradual dos combustíveis fósseis continuará mesmo sem consenso. Ele adiantou que a presidência brasileira trabalhará na criação de um “mapa do caminho” para reduzir a dependência global desses combustíveis, acelerar o combate ao desmatamento e ampliar iniciativas de restauração florestal. A Turquia sediará a COP31, em 2026, e a Etiópia receberá a COP32, em 2027.

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