Ato pela democracia reúne surfistas e remadores em Fortaleza. Imagens: Germano Rolim / @mano.4rte

Às vésperas da eleição para a Presidência do Brasil, uma “Remada da democracia” reuniu esportistas do remo e surf neste sábado (24/10), em Fortaleza. As canoas saíram da praia do Náutico em direção à Praia de Iracema, ao lado da Ponte dos Ingleses, onde se encontraram com surfistas para um bandeiraço, dentro e fora do mar, em favor da democracia brasileira. 

A mobilização nasceu da iniciativa das esportistas Liane Hang, Natália Castilho, Luana Castelo e Flávia Castelo, além da parceria com outros surfistas, remadores e as bases Hang Fortaleza, Comunidade & Escola de Longboard Clássico, e NOCrazy Paddle, representado por Alexandre Nocrato. escola de esportes náuticos e surf. De acordo com as organizadoras, os remadores e surfistas se reuniram de forma independente, sem organização de instituições partidárias, coletivos ou bases políticas. O encontro teve como lema: “A praia é do povo. Nossa onda é a democracia”.

A motivação para o ato teve início com Liane Hang, fundadora e gestora da Hang Fortaleza, uma escola de surf com foco no longboard clássico, na praia do Lido, em Fortaleza. “Surgiu depois de saber do primeiro ato dos surfistas no Farol da Barra, na Bahia, e assim tive a ideia de mobilizar o nosso aqui em Fortaleza. Algumas alunas também vieram falar comigo com esse mesmo desejo”, destaca Liane. 

O ato foi a favor da democracia e um protesto contra o andamento da PEC das praias. Os participantes manifestaram apoio ao candidato Lula e se posicionaram contra a privatização das praias.

Para Liane, “o surf tem um papel muito importante na transformação da visão sobre o oceano. E as escolinhas têm uma responsabilidade enorme nisso. Formar novos surfistas com essa consciência faz diferença, porque eles podem ser uma voz que talvez outros surfistas, que ainda estão desligados dessas questões, comecem a escutar. O que acontece dentro e fora da água também é político. E a gente precisa cada vez mais ocupar esses espaços, e construir essa consciência coletiva”. 

As remadoras e remadores saíram da praia do Náutico em trimarã (canoas havaianas de 6 lugares conectadas uma a outra), catamarãs (conexão de duas canoas de seis lugares) e canoas havaianas individuais e se reuniram com os surfistas e surfistas na praia de Iracema.

Esporte e política

Natália Castilho, que também fez parte da organização, destaca que o esporte tem tudo a ver com política. “A maioria das atletas ali remando eram mulheres, então acho que isso também diz muito sobre essa questão da política. Eu venho praticando esse esporte desde 2021. Comecei no grupo de mulheres chamado Lua Rosa, mulheres sobreviventes do câncer de mama. Eu comecei porque vi esse grupo de remadoras rosa, me integrei e comecei a praticar o esporte. Esse lugar do feminino dentro do esporte é algo que é importante, e foi importante perceber também nessa organização, nessa mobilização. O VA’A vem da cultura polinésia havaiana, da preservação de práticas ancestrais. Existe toda uma filosofia da relação de interconexão e interdependência com a natureza, de considerar que a canoa é um ser vivo. Então como é que a gente vai pensar que o VA’A não tem a ver com política? A manutenção dos nossos ecossistemas, a proteção da natureza, dos povos tradicionais e comunidades: tudo isso está relacionado com essa visão de mundo que, na minha percepção, engloba a prática da canoa havaiana”, reforçou Natália.

Para Liane, é preciso cuidar dessa conexão de esporte, mar e política: “Acredito que é quase impossível você surfar e não desenvolver uma comunicação diferente com o mar. Você começa a perceber coisas que antes não percebia, a se importar com o que acontece ali e a entender que a gente protege aquilo que ama. E quando a gente fala de preservação ambiental e acesso aos espaços públicos, acho que isso também faz parte dessa relação. O mar não é só um lugar onde a gente pratica esporte. É um espaço público, vivo, que precisa ser preservado e que deve continuar sendo acessível a todos”. 

Luana Castelo, que coordena o projeto Imersa Mundo, que dá visibilidade à luta das comunidades costeiras e promove a justiça territorial por meio do turismo de base comunitária e da comunicação climática reforça que “a mobilização teve esse intuito de mostrar que os surfistas e remadores podem ser uma ferramenta muito potente para comunicar essa luta. O esporte pode ser uma ferramenta social para além da modalidade. A gente precisa desses espaços de troca e de conversa para conscientizar cada vez mais a galera do surf e de outros esportes aquáticos”.

Para Flávia Castelo, remadora e uma das mobilizadoras, é importante se posicionar e promover eventos em prol da democracia. Flávia destaca que a organização foi feita em três dias e foi poderosa: “A remada foi pela democracia, pela não privatização de praias e pela manutenção e fortalecimento de direitos. Acordamos de madrugada, depois de uma semana inteira e intensa de trabalho, outras responsabilidades, debate, live e exército do Lula, debaixo de sol e vento para continuar lutando pela soberania do Brasil. Na água, éramos por volta de 100 atletas entre remadores e surfistas. Foi lindo, forte e daquele tipo de encontro que reenergiza mesmo a gente tendo que botar muita força para remar. Estamos na temporada de vento, isso torna a remada mais enérgica”, afirmou a remadora.

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