
Ligado à pauta de proteção do oceano, André Comaru iniciou a campanha com materiais de divulgação recicláveis e ações de upcycling, com reaproveitamento e customização de camisas da equipe e de apoiadores
Em períodos de campanha eleitoral, os chamados “santinhos” continuam sendo um dos materiais mais tradicionais de divulgação dos candidatos. Neste ano, o ativista socioambiental André Comaru, filiado ao PSOL e candidato a deputado federal pelo Ceará, incorpora à própria campanha práticas de reaproveitamento e uso mais consciente de materiais.
O papelão recolhido durante ações de limpeza da Sociedade Comunitária de Reciclagem de Lixo do Pirambu (Socrep) e Associação de Reciclagem do Moura Brasil ganhou uma nova finalidade e passou a ser utilizado na produção dos “santinhos” da campanha. O material foi doado pelas entidades em apoio à candidatura de André. A proposta é reaproveitar um resíduo que já existia, em vez de utilizar exclusivamente novos materiais na divulgação eleitoral. Além disso, as camisas utilizadas pela equipe e por apoiadores também seguem uma prática sustentável. Ao invés da produção de novas peças exclusivamente para a campanha, camisas já disponíveis foram reaproveitadas e customizadas pelo artista plástico Carlos Careca para ganhar uma nova identidade e uso durante a campanha. A proposta é incentivar uma lógica de consumo mais consciente.

“Se a gente fala em preservação, consumo consciente e responsabilidade ambiental, isso também precisa aparecer nas nossas próprias escolhas. Nosso material de campanha é essencialmente necessário, mas podemos repensar como podemos nos comunicar de forma mais sustentável. A ideia foi olhar para o que já existia, reaproveitar esses materiais e dar a eles uma nova função, em vez de simplesmente produzir tudo de novo e gerar mais resíduos desnecessários. É uma atitude simples, mas que também ajuda a provocar uma reflexão sobre o uso e consumo consciente”, afirma André Comaru.
Morador da Praia de Iracema, em Fortaleza, André ganhou projeção nas redes sociais ao denunciar, cobrar e apresentar soluções para problemas ambientais que atingem há décadas o litoral da Capital, especialmente o lançamento direto de esgoto sem tratamento no mar. O problema compromete a balneabilidade e a qualidade da água, representa riscos à saúde, afeta a pesca, o turismo e outras atividades econômicas dependentes do mar, além de provocar impactos nos ecossistemas marinhos.
A atuação de André não se restringiu às denúncias. Ele também passou a apresentar e implantar alternativas, como a instalação de ecobarreiras em rios e o reforço da fiscalização, além de cobrar dos poderes públicos municipal e estadual medidas efetivas para enfrentar os problemas identificados.
Fundador do coletivo Nossa Iracema, que desenvolve ações de conscientização e mobilização em defesa do oceano e da preservação do litoral, André lidera há anos ações voluntárias de limpeza de praia e mantém proximidade com catadores e catadoras de toda a faixa litorânea cearense.
Surfista, kitesurfista e participante ativo de iniciativas socioambientais, André construiu sua atuação a partir de uma relação cotidiana com o oceano e as comunidades litorâneas. Essa vivência permitiu acompanhar de perto tanto os problemas enfrentados pelos territórios costeiros quanto as possibilidades econômicas, sociais e culturais associadas ao mar. É dessa trajetória que nasce “André Comaru – A voz do Oceano”.
Algumas questões que André passou a acompanhar a partir da Praia de Iracema, como falhas ou ausência de saneamento, poluição marinha, gestão de resíduos e desenvolvimento dos territórios costeiros, fazem parte de desafios presentes em diferentes regiões do litoral brasileiro. Com a candidatura à Câmara dos Deputados, essas experiências passam a integrar uma agenda importante de debate em nível nacional.
Esse debate ganha ainda mais relevância pois estamos na Década das Nações Unidas da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável (2021–2030), uma agenda mundial criada para ampliar o conhecimento sobre o oceano e enfrentar a degradação dos ecossistemas marinhos costeiros. Nesse contexto, políticas públicas voltadas ao oceano são extremamente importantes para transformar conhecimento científico em ações concretas, legislação, fiscalização, investimentos e soluções capazes de conciliar preservação ambiental e desenvolvimento sustentável dos territórios costeiros e marinhos.
Entre as pautas defendidas por André estão a ampliação do saneamento básico, o combate às ligações clandestinas de esgoto, a proteção da qualidade das águas, a conservação dos ecossistemas costeiros e marinhos, fortalecimento e desenvolvimento da economia azul e o fortalecimento de políticas públicas voltadas aos territórios litorâneos. A agenda inclui ainda as comunidades tradicionais e os territórios periféricos, a valorização da reciclagem, da arte e da cultura de praia e a defesa de uma transição energética justa.

Outro eixo é o desenvolvimento de uma economia azul sustentável, entendendo o turismo, gastronomia, pesca, serviços, esportes náuticos, vela, canoagem e diferentes atividades relacionadas ao mar formam uma cadeia econômica cuja continuidade depende diretamente da conservação dos ecossistemas costeiros.
A dimensão social dessa agenda inclui ainda o fortalecimento da participação feminina e a valorização da liderança das mulheres nos diferentes setores ligados ao mar e à economia azul. Essa visão também se reflete na estrutura da própria campanha: áreas estratégicas, como comunicação, assessoria jurídica e financeira, são integralmente lideradas por mulheres.
O debate ganha ainda mais relevância durante a Década das Nações Unidas da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável (2021–2030), uma mobilização global que busca ampliar o conhecimento, preservação do oceano e gerar soluções para o desenvolvimento sustentável dos territórios marinhos e costeiros.
Para André, políticas públicas voltadas ao oceano são fundamentais para transformar conhecimento científico em legislação, fiscalização, investimentos e ações concretas. “Pensar o oceano significa compreender tudo o que acontece antes de chegar ao mar. Saneamento, resíduos, ocupação urbana, desenvolvimento econômico, cultura, lazer e qualidade de vida fazem parte de uma mesma agenda de preservação do oceano e comunidades tradicionais e ribeirinhas”, destaca o candidato.
