No último domingo (27/09), a Praia do Náutico, em Fortaleza, foi o local de uma intervenção inusitada. O candidato a deputado federal pelo Ceará André Comaru, que é ativista ambiental há 10 anos, montou uma estrutura móvel com um vaso sanitário em frente ao píer, um dos locais mais visitados de Fortaleza, para denunciar a falta de saneamento básico e poluição do oceano. No local, uma galeria despeja diretamente o esgoto sem tratamento no mar há anos. De acordo com o André, a escolha do ponto é simbólica, pois foi ali que, em 2023, ele viralizou nas redes sociais ao denunciar ligações clandestinas de esgoto e cobrar providências do poder público. Três anos depois, o problema segue sem solução O ativista ambiental quer levar essa luta à Câmara dos Deputados, com foco na proteção do oceano e dos territórios costeiros, na fiscalização ambiental e na defesa de quem vive e trabalha junto ao mar.

A primeira intervenção com o vaso sanitário começou na última quinta-feira (24/09), nos semáforos de Fortaleza, na Avenida Bezerra de Menezes e na Av. Domingos Olímpio. Enquanto os veículos estavam parados, André ficou sentado no vaso sanitário e usou um megafone para denunciar a falta de saneamento básico, o lixo que chega ao mar e as ligações clandestinas de esgoto. Também falou de soluções simples que dependem de vontade política para sair do papel. A ação teve grande repercussão nas redes sociais e voltou a chamar atenção para a urgência em relação à questão ambiental e social.

A denúncia de poluição e esgoto clandestinos é uma problemática que se arrasta há naos em Fortaleza. E os dados da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) mostram que a cidade ainda foi capaz de dar condições de esgotamento sanitário para todos. De acordo com a Cagece, , em dezembro de 2025, a rede de esgoto ainda não estava disponível para 26,32% das unidades residenciais consideradas em Fortaleza. Nas localidades cearenses onde a companhia atua, o percentual fora da cobertura era de 48,49%.

Para André os dados mostram que o saneamento e esgotamento sanitário estão longe de serem um direito básico. “A poluição do oceano é uma questão global. Enfrentar o despejo de esgoto no mar exige ação do poder público e cobrança frequente da sociedade, independentemente de partido. Não existe planeta B. A gente precisa priorizar a questão ambiental, pois o oceano, os recursos hídricos, tudo isso é um bem comum, independente de qualquer coisa, precisamos nos unir e colocar isso em pauta e solucionar”, afirmou André.

Esse debate ganha ainda mais relevância pois estamos na Década das Nações Unidas da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável (2021–2030), uma agenda mundial criada para ampliar o conhecimento sobre o oceano e enfrentar a degradação dos ecossistemas marinhos costeiros. Nesse contexto, políticas públicas voltadas ao oceano são extremamente importantes para transformar conhecimento científico em ações concretas, legislação, fiscalização, investimentos e soluções capazes de conciliar preservação ambiental e desenvolvimento sustentável dos territórios costeiros e marinhos.

Segundo o candidato, três problemas antigos podem ser resolvidos com soluções totalmente aplicáveis:

1. Falta de saneamento básico

André defende a ampliação urgente do acesso à água potável, à coleta de esgoto e ao tratamento adequado dos efluentes, que são os resíduos líquidos ou gasosos gerados por atividades domésticas e industriais que são descartados no meio ambiente . Para o candidato, sanear o estado é uma obrigação básica e uma medida de proteção da saúde pública, do oceano e da população.

2. Resíduos que saem das ruas e chegam ao mar

As propostas apresentadas pela campanha incluem educação ambiental permanente, reforço da varrição pública, implantação de jardins filtrantes, um sistema ecológico que utiliza plantas, pedras e areia para purificar águas residuais ou poluídas de forma natural, e a utilização de bueiros inteligentes, que tenham sistemas de drenagem equipados com filtros para reter resíduos maiores.

3. Ligações clandestinas de esgoto

Para combater as conexões irregulares entre a rede de esgoto e a drenagem de águas pluviais, André propõe o tamponamento das ligações identificadas, fiscalização contínua, aplicação de multas e responsabilização nos termos da lei para quem contamina os recursos hídricos.

As propostas públicas do candidato também incluem investimentos em estruturas de recebimento e tratamento de esgoto, instalação e manutenção de ecobarreiras em regiões hídricas, educação ambiental e participação das comunidades. Esses são alguns dos  compromissos que estão registrados no perfil de André Comaru na plataforma Vote pelo Clima.

Algumas questões que André passou a acompanhar a partir da Praia de Iracema, como falhas ou ausência de saneamento, poluição marinha, gestão de resíduos e desenvolvimento dos territórios costeiros, fazem parte de desafios presentes em diferentes regiões do litoral brasileiro. Com a candidatura à Câmara dos Deputados, essas experiências passam a integrar uma agenda importante de debate em nível nacional.

Entre as pautas defendidas por André estão a ampliação do saneamento básico, o combate às ligações clandestinas de esgoto, a proteção da qualidade das águas, a conservação dos ecossistemas costeiros e marinhos, fortalecimento e desenvolvimento da economia azul e o fortalecimento de políticas públicas voltadas aos territórios litorâneos. A agenda inclui ainda as comunidades tradicionais e os territórios periféricos, a valorização da reciclagem, da arte e da cultura de praia e a defesa de uma transição energética justa.

Campanha sustentável

A preocupação ambiental também aparece na comunicação da campanha política. A equipe do candidato criou os papelinhos, materiais eleitorais feitos com papelão reaproveitado e doado por catadores e catadoras da Sociedade Comunitária de Reciclagem de resíduos do Pirambu e a Associação de Reciclagem do Moura Brasil. Os pedaços são recortados, pintados e escritos à mão pela equipe e por apoiadores e apoiadoras. Além disso, as camisas utilizadas pela equipe e por apoiadores também seguem uma prática sustentável. Ao invés da produção de novas peças exclusivamente para a campanha, camisas já disponíveis foram reaproveitadas e customizadas para ganhar uma nova identidade e uso durante a campanha. A proposta é incentivar uma lógica de consumo mais consciente.

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